Milho: Redução da safrinha deve puxar preços no Brasil em meados de 2018

As últimas projeções da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) apontam uma queda na segunda safra de milho do Brasil em 2018 – reflexo de uma conjunção de fatores – e já são esperadas reações entre os preços do cereal. No entanto, essas são reações que podem demorar ainda a chegar, dada a oferta confortável pela qual passa o país, ao menos por enquanto.

Com o atraso do início do plantio da soja em função da demora na chegada das chuvas em importantes regiões produtoras Brasil a fora, os produtores pretendem investir menos na cultura, dada a janela mais estreita para os trabalhos de campo. Os investimentos são altos e os resultados poderão ficar prejudicados.

Os dados mostram que a segunda safra deverá ser de algo próximo a 67.107,9 milhões de toneladas 2016/17, contra 67.355,1 milhões de toneladas 2017/18. Essa baixa, porém, pode ser mais expressiva caso os problemas, principalmente climáticos, continuem a ser registrado nos campos, bem como as preocupações dos produtores.

Impactos no Mercado

Com a confirmação desse quadro, o mercado brasileiro de milho pode chegar a um momento de oferta mais ajustada e, portanto, cotações melhores. No entanto, como explica o consultor Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, o Brasil ainda vira o ano com uma quantidade de produto que limita essa reação dos preços e um movimento de mudança deverá ser observado apenas em meados de abril e maio de 2018.

As cotações futuras do milho – base porto – já se mostram melhores. Nesse momento, variam entre R$ 29,50 e R$ 30,00 por saca e, quando observados os meses de julho e agosto do ano que vem, o patamar sobre para algo entre R$ 32,00 e R$ 34,00. Ainda assim, como explica Brandalizze, estes são preços que ainda não atraem os vendedores.

Com esse nível, as cotações no interior de Mato Grosso, descontando o frete, leva as cotações a um intervalo de R$ 16,00 e R$ 17,00, que não estimula novos negócios dado, mais uma vez, o alto custo de produçãodo grão.

Dessa forma, a comercialização da safrinha de milho está parada no país. “Podemos dizer que a comercialização nem andou. Temos menos de 5% da safrinha vendida, enquanto, em outros anos, já era algo de 20% a 30% nessa época”, explica o consultor. “Os produtores estão comprando insumos, sementes, com recursos próprios, buscando alternativas, mas os negócios estão parados”, completa.

Para os negócios voltarem a fluir, ainda segundo Brandalizze, e também considerando o interior de Mato Grosso, os valores nos portos teriam de alcançar entre R$ 36,00 e R$ 38,00, para liquidar em R$ 20,00 a R$ 22,00 no estado.

Fonte: Notícias Agrícolas